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Maratona Fotográfica

Pirenópolis, GO – 22 de maio de 2010

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O contexto cultural da Maratona

A III Maratona Fotográfica de Pirenópolis ocorre em um ambiente cultural diversificado e inspirador. O concurso surgiu do desejo de unir o estímulo à produção fotográfica e o desenvolvimento de novos olhares para duas das manifestações populares mais importantes de Pirenópolis: a Festa do Divino Espírito Santo e as Cavalhadas. As festas se misturam e se completam. São ao mesmo tempo sagradas e profanas. Ambas celebradas com muita devoção em meio a uma profusão de imagens capazes de inspirar todos aqueles que se sentem atraídos pela arte da fotografia.

Festa do Divino

Foto Helio Rocha © 2009

A Festa do Divino é uma celebração da religiosidade e do espírito festeiro do povo pirenopolino. Ela começa com os terços e pousos que percorrem a zona rural – assim como algumas áreas urbanas do município – durante quase todo o mês de maio, levando a Bandeira do Divino Espírito Santo e o conjunto de Coroa, Cetro e Bandeja, símbolos máximos da festa. A peregrinação é marcada pela fé dos cavaleiros e a generosidade dos que os recebem para o pouso. A cada nova casa, o sagrado e o profano se encontram. Aos terços, seguem-se a comida, as bebidas e a música, sempre alta e festiva.

Encerrados os cortejos e pousos, o epicentro da festa se desloca para a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. É para lá que convergem a população e seus objetos rituais, encerrando a parte religiosa da festa.
A manifestação mais importante do calendário cultural de Pirenópolis abriga também outras manifestações da religiosidade brasileira que encontraram guarida no âmbito do Divino, entre elas as Pastorinhas (auto de natal originário região Nordeste) e a Congada (tradição de origem negra em louvação a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito).

A festa pode ser vista como um caleidoscópio. Músicas, orações, gastronomia, dramatizações e uma estética riquíssima se fundem em uma tradição que se mantém viva e renovada a cada ano pela luz do olhar de cada visitante, de cada festeiro. Por sua diversidade, a Festa do Divino de Pirenópolis tornou-se uma das expressões máximas da cultura popular brasileira.

Cavalhadas

Foto Carlos Ladislau © 2009

É quando se encerra a Festa do Divino que começam as Cavalhadas. Elas datam de aproximadamente 1826 e representam as batalhas religiosas entre Mouros e Cristãos durante a Invasão da Península Ibérica. Montados em cavalos ricamente ornados, os cavaleiros também trajados à moda tomam conta do palco (o cavalhódromo) onde se encena a batalha que dura três dias e atrai milhares de pessoas. Toda a trama pode ser vista de perto e de modo privilegiado pelos participantes da Maratona Fotográfica, que são credenciados especialmente para o evento.

Do lado de fora, o profano ganha as ruas da centenária cidade. A presença de cavaleiros com exuberantes máscaras com chifres de bois (os mascarados) dá um toque carnavalesco à festa e preenche o cenário com imagens fascinantes que se tornam fonte de inspiração para fotógrafos e cinegrafistas. Trata-se de uma festa riquíssima em cores formas.
As imagens da Festa do Divino Espírito Santo e as Cavalhadas percorrem o mundo, mostrando que a cada novo olhar que se lança sobre a cultura popular, novas interpretações são possíveis porque cada olhar é único e é essa singularidade que a Maratona Fotográfica de Pirenópolis quer resgatar.

Mascarados

Seriam eles uma criação dos antigos negros que, sem poder brincar durante a festa, recobriam todo o corpo com roupas, luvas e máscaras, disfarçando a voz para poderem participar da festa sem serem notados?  Seriam eles uma memória ancestral dos clowns das tragédias gregas, que serviam para alegrar a festa, minimizando a tensão dramática do conflito que se encena mais adiante? As origens dos mascarados durante as Cavalhadas são nebulosas e poucos arriscam um palpite.

Certo mesmo é que os mascarados com suas roupas de cores vibrantes e máscaras estilizadas, e feições às vezes medonhas são uma das imagens mais típicas da festa. As máscaras das Cavalhadas já viraram tradição e podem ser encontradas em miniaturas, souvenirs, estampas. Estão por toda parte. Mas o bom mesmo é vê-las feitas em papel marché sobre as cabeças dos cavaleiros que sobem e descem as ruas centenárias fazendo tropel com os guizos atados aos arreios e as imprescindíveis flores de crepom a lhes ornar a figura.

A cada ano, porém, a tradição ganha novas leituras. Os mais jovens hoje usam máscaras de borracha, carnavalescas mesmo, mas procuram manter os corpos totalmente cobertos, inclusive as mãos – sinal de que mantém um pé lá na tradição e outro na modernidade. Com as vozes disfarçadas, atormentam o público pedindo moedas.

Mas para o bom mascarado, o importante é brincar sem se deixar reconhecer. Sem saber quem está sob a indumentária, o mistério só faz aguçar a emoção de vê-los passar como se fossem personagens de um mundo imaginário que encarnam uma inusitada alegria durante as Cavalhadas.

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